terça-feira, 9 de abril de 2013

ARTIGO - NÓ NA GARGANTA


Nó na garganta
Por Fabrício Lopes*


Hoje é dia do meu aniversário! A expectativa é que houvesse uma grande comemoração, mas já faz 64 anos que estou a espera de dias melhores.

Minha estrutura rústica e bucólica encravada na Serra do Mar foi duramente despida sem nenhum pudor em nome do desenvolvimento sem planejamento com a justificativa de que era bom pra Nação.

O que me dava forças foi saber que naquele momento estávamos acolhendo diversas culturas vindas de todas as partes do país, que fugiam de uma realidade mais vida sofrida do que a minha. Eram irmãos e irmãs de todas as partes, que traziam consigo todas as artes e na dificuldade dividiam o próprio pão.

Minhas verdes entranhas de exuberantes e vistosas matas tão bem cuidadas e aconchegantes, por anos, ficaram expostas para as lentes do mundo, juntamente com um duro golpe que calou por mais de duas décadas a voz do meu povo e torturou os desejos e sonhos de toda uma geração.

Não foi fácil, mas me levantei.

O povo já podia falar. Mas falar para quem? Falar o que? Como? Onde?

Até que certo dia começamos a falar.

Mas a necessidade imediata de sanar os problemas de fome e moradia falaram mais alto. O desespero para ver um filho estudando ou de ter a tão sonhada oportunidade de emprego, obrigou-nos a trocar um pedaço da nossa cidadania pela necessidade de sobrevivência.

Relutamos, debatemos, agonizamos.

Vislumbramos no desenvolvimento e estabilidade econômica do país a oportunidade de dar uma virada. De ousar nas nossas escolhas e enfim reconquistar nossa dignidade.

Arriscamos, acreditamos, sonhamos e erramos.
Faltam palavras para descrever o tamanho da emoção que sinto ao escrever estas breves palavras. Dói na alma saber que ainda parece distante um desfecho feliz.

Mas é certo que perdemos o medo de ousar e hoje temos a consciência daquilo que realmente vai nos servir no futuro.

Essa é minha mensagem neste aniversário.

Ass: Cubatão

*Fabrício Lopes é cidadão cubatense

2 comentários:

Leandro Matsumota disse...

Parabéns pelo texto líder!
Dias melhores virão!
Abs

Matsumota

Leandro Matsumota disse...
Este comentário foi removido pelo autor.