quinta-feira, 30 de julho de 2020

LAVE O FUNDO DO PRATO

Lave o fundo do prato
Por Fabrício Lopes*


Início de 2020, o Brasil, até então, assistia às crises sanitárias recentes apenas pelas lentes e telas. Agora, se vê diante de um dos maiores desafios de sua história. Não apenas pelo número de vítimas, que nos faz refletir quão trágico é o momento que passamos, mas também como somos dependentes uns dos outros.

E isso me fez refletir sobre hábitos e pensamentos que tive ao longo da vida. Muitas vezes, quando dividi essas ideias com outras pessoas, fui ironizado ou tachado como chato. Que fique claro: algumas questões que vou trazer são apenas coisas que me faziam e fazem refletir diariamente, mas não fizeram que eu deixasse de viver e conviver como uma pessoa normal... Até o início desse ano.

Sempre consumi em bares e restaurantes, e frequentemente, uma cena sempre me chamava a atenção, era a pessoa levantar o prato e pega o que está embaixo. Ela não está errada. A esperança é que aquele esteja mais limpo ou menos exposto. Mas, na sequência, ela vai consumir diversos produtos que também estão expostos, pegar em utensílios expostos, utilizar talheres expostos e por ai vai.

Algumas pessoas dizem que se pensarem em tudo isso, saem correndo e não comem. Já eu sempre tentei pensar nessas questões como uma rede de confiabilidade, que se inicia ao acreditar que o fundo do prato suspenso, esteja limpo. Em seguida, confiar que todas as pessoas lavaram bem as mãos antes de utilizar os utensílios, e quem passou antes de nós não conversou exageradamente sobre os alimentos.

O exemplo do prato e no restaurante é apenas uma metáfora que trago para ilustrar como nossas atitudes podem impactar na vida de outras pessoas e o quanto dependemos da responsabilidade de outras pessoas para garantir o nosso bem bem estar.

O mundo está cada vez mais conectado, não apenas pela internet, mas também pelas estradas, portos e aeroportos, isso nos faz pensar o quanto confiamos e somos confiáveis. Será que estamos passando adiante o nosso melhor?

O Brasil se vê neste momento no topo de uma lista inglória, triste e que corta nossos corações. As imagens das telas e lentes agora são a nossa vizinhança. Enquanto isso, mandatários perdidos em meio a crendices e boatarias e empresários gananciosos, questionam cientistas que correm contra o tempo para tentar a achar um medicamento ou vacina para conter o vírus.

O que mundo talvez mais necessite agora é de um grande pacto de confiança. Onde possamos respeitar uns aos outros em todos os sentidos. Desenvolver hábitos mais humanos e solidários e compreender que somos pequenos diante da imensidão do universo. Talvez o grande ensinamento que possamos tirar desse momento, é de que devemos ter mais harmonia entre as pessoas e observar se estamos passando adiante aquilo que esperamos receber.

É momento de cuidar de nós e das pessoas. Entender o quão importante somos uns aos outros. Mesmo que o momento seja delicado e difícil, é importante começar. Viver em sem ganância e individualismos podem ser dois passos importantes para que possamos confiar e transmitir confiança.

E não esqueça: lave o fundo do prato.



*Fabrício Lopes é Gestor Público

sexta-feira, 19 de junho de 2020

A CONTA



Agressão
Ganância
Traição
Matança
Desrespeito
Xingamentos
Sujeira
Intolerância
Queimadas
Destruição
Poluição
Desperdício
Ódio
Exploração
Vingança

Se você não se mexe
Se você não se espanta
Vai pagar a conta!

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

OUTROS CAMINHOS


O trem veloz
Em disparada
Rompeu o silêncio
Da madrugada
Cortou a neblina
Mudou a rotina
Na comunidade
O povo assistiu
A composição
Transpor a estação
Seguir seu caminho
Onde antes era parada
Agora se faz tristeza
O vagão some ao longe
Sem dar satisfação
Olhares atônitos se perdem
Em busca de explicação
O frio se impõe
Todos calados
De pé postados
Sem querer acreditar
Que aquele local
Já foi importante parada
Das partidas e chegadas
De renovar as esperanças
Ficou perdido nas lembranças
Agora é parte do caminho
O ponto de encontro
Só une a solidão
Observam com apreensão
Os trilhos que cortam o chão
Que um dia foi conexão
Isolados
Com ar de perigo
Se faz preciso coragem
Para unir desafetos e amigos
Em busca de um novo caminho
Quem sabe uma nova parada
Sem estremecer
A fé nessa longa jornada

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

GOTAS



Gotas do céu
Molham o chão
A pele
Sem destino certo
Em desatino
Se une
Encharca
Escorre pelas ruas
Inunda sentimentos
Deixa suas marcas
Gravadas
Nos olhos
Cheio de lágrimas
Gotas salgadas

MAIS UM DIA

Novo ângulo 
Velho conhecido 
Na cidade que conduz
Por vezes somos conduzidos
Para o trabalho ou lazer
Leva estudante e operário
Na busca de sonhos 
Olhares sérios 
Bebês risonhos 
Pela janela o tempo passa
Tristeza se cruza com alegria
Sentimento confuso
Começo ou fim?
Somente uma certeza!
Mais um dia, mais um dia


Fabrício Lopes

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

NINGUÉM SE IMPORTA


Quando a folha cai
Uma porta se fecha
Indubitável tempo
De memória passadas
Não tem alvoroço
Reflexos do destino
Perdido na estrada

Com pouca força 
Rasteja
Sem horizontes
Dor da alma
Abatido, não reage 
Agora é traço 
Saiu da rota

Fim da angústia
Amargo na boca
Silhueta torta
Na dúvida 
Muitos bradam
Todos falam
Mas na verdade?!

Ninguém se importa


Fabrício Lopes

sábado, 29 de junho de 2019

UMA MANCHA ROXA NA HISTÓRIA AURI-RUBRA

Uma mancha roxa na história auri-rubra
Por Fabrício Lopes*
Quem me conhece sabe, tento tratar sempre minhas angústias e alegrias longe das redes sociais, entendo que este é um lugar para me manter conectado a pessoas maravilhosas que ao longo do tempo tivemos a oportunidade de conviver e repartir experiências.

Mas desde ontem estou inquieto, por várias vezes escrevi e apaguei frases que traduzem o que tenho sentido nas últimas horas. Algumas mais ácidas, outras mais românticas, porém todas sobre o mesmo assunto: Jabaquara Atlético Clube.

Refleti muito se deveria tornar pública algumas considerações que tenho. Afinal, no que isso vai influenciar? Talvez em nada! Mas ao menos deixo aqui registrado para meus amigos e para minha história um assunto que se tornou público da pior maneira possível. Nesse sentido também entendo que é necessário trazer alguns pensamentos à público.

Ontem recebi uma enxurrada de ligações e mensagens de amigos para compartilhar o momento triste que o glorioso Leão da Caneleira vive. Prestes a completar 105 anos, sofre, ao meu ver, a maior mancha de sua história esportiva: foi suspenso pela Federação Paulista de Futebol.

A mesma federação que o Jabuca e outros 10 clubes fundaram e hoje ouvimos os atuais dirigentes tratarem com desdém. E pensar que um dia pessoas que sequer conseguem ler um regulamento aprovaram leis.

O Jabaquara não é apenas o meu time, é meu clube. Seja qual for a categoria ou a divisão, dentro das minhas limitações sempre busquei apoiar e torcer. Nunca fui torcedor de radinho e internet, sou esportista e sempre procurei estar presente independente das distâncias.

Sei das nossas limitações, nunca deixei de frisar aos nossos adversários meu total respeito e consideração, afinal, dependemos uns dos outros e as divergências se encerram com o apito final das competições.

Ao ser suspenso e ter sua última partida em 2019 decretado WO, o clube termina o ano sem nenhuma vitória no futebol profissional e um desfecho trágico para um clube da nossa envergadura. Não posso deixar de ressaltar que muitos dos nossos atletas, mesmo diante de adversidades, foram aguerridos. Sei o quanto se empenharam para buscar resultados, mas muitas vezes a mão invisível desmontou nosso esquema tático e colocou a equipe no buraco. As súmulas não me deixam mentir.

Foi angustiante ler, ouvir e ver todas as notícias e mensagens que me saltaram aos olhos no dia de ontem. Ver o quanto isso arranha a nossa imagem e como fragiliza a nossa instituição. Sempre busquei oferecer o melhor de mim para o clube, sem nunca obter qualquer ganho pessoal, pensando sempre em manter.

Manter as manhãs alegres de domingo, onde o resultado é inferior a alegria de estar com os amigos. Manter viva uma instituição centenária e sua história. Manter acesa a chama do verdadeiro futebol, aquele que incendeia corações de milhares de jovens em busca de seu lugar ao sol.

Antes que algum paladino desavisado ouse dizer que nada faço pela agremiação, ressalto que enquanto pude e não fui tolhido, mantive viva a comunicação do clube, deixando torcedores e associados informados sobre os acontecimentos bons ou ruins, mas sempre com compromisso e respeito aos veículos de imprensa.

Mesmo quando deixou de ser minha atribuição, nunca deixei de contribuir com a cobertura de jogos e atividades em que estive presente. Hoje esse comportamento é inverso. As informações são escassas e nosso maior destaque em 2019 nos meios de comunicação é devido a um ato de total irresponsabilidade de nossos dirigentes.

Aproveito o momento para agradecer aos que realizam a cobertura esportiva do clube, sei de todas as dificuldades enfrentadas pelos profissionais para receber informações, porém nunca se furtaram de buscar a notícia e fazer chegar até nós. Hoje se dependesse de algumas pessoas, nesse momento estaríamos sem saber os reais motivos que nos levaram a chegar nesse final trágico da temporada "profissional" de 2019.

Por fim, antecipo minhas desculpas aos que de alguma maneira se sintam ofendidos com estas breves palavras. Tenham a certeza que escrevo este texto com profunda tristeza e sem intenção alguma de individualizar qualquer crítica. Ela é fruto de uma sequência de erros egocêntricos de diversas pessoas, as quais não controlam sequer sua própria vaidade e não sabem trabalhar em equipe.

Todos nós estamos aqui de passagem. Espero, enquanto aqui eu estiver, que não me faltem condições para defender o legado no nosso clube. Como disse Plínio Marcos, em quem me inspirei para o título do texto: "Um povo que não ama e não preserva suas formas de expressão mais autênticas jamais será um povo livre."

Não vamos desistir! Abaixo aproveitadores! Vida longa ao Jabaquara Atlético Clube!



*Fabrício Lopes é Gestor Público.

domingo, 28 de abril de 2019

NÃO PARE DE CAMINHAR

Não pare de caminhar
Por Fabrício Lopes*
Quando ainda mais jovem, ouvia muito que um dia chegaria a nossa vez da nossa geração assumir os postos de comando e levar adiante várias questões em nosso país. Sempre faziam questão de frisar a necessidade de ser firme para enfrentar as injustiças, conquistar espaços, expurgar aproveitadores e assim se manter na linha de frente em qualquer uma das áreas pretendidas.

Algumas vezes isso me soava como uma cobrança, mas em algumas ocasiões senti como se fosse um chamado. Eis que fui amadurecendo, as oportunidades surgiram, nosso nome surgiu nas discussões e os primeiros embates ocorreram.

Talvez fosse apenas fatos isolados, mas o que se avizinhava era mais que isso, foi uma mudança de curso. Alguns que só estimulam da boca pra fora, agora se sentem acuados diante das novas gerações.

Muitas pessoas que diziam que era tempo de protagonizar e assumir a dianteira passou a dizer que eu era muito jovem e inexperiente. Mas como ser experiente sem ter a oportunidade de vivenciar os espaços outrora negados?

O tempo passou, outras figuras surgiram, e na maioria das vezes o discurso sempre se assemelhou. Aprendi com isso que cada vez que uma porta se fecha na nossa cara sem justificativa plausível é o sinal de que há um espaço arcaico a ser conquistado e transformado. É uma tarefa diária construir cada passo nessa caminhada, por conta disso sou muito grato aos que não ficaram apenas de conversa mole e deram as oportunidades e os puxões de orelha que me trouxeram até aqui.

Muitos anos se passaram desde que tudo isso começou. Cada espaço que foi conquistado com muito esforço e o desenvolvimento de cada tarefa realizada com muito afinco e determinação.Vários erros que ocorreram se transformaram em aprendizados, muitas vitórias foram conquistadas e divididas com muitas pessoas fantásticas, mas o que me faz estar aqui é o caminho que ainda há por vir.

Hoje, depois de acertos e tropeços, a caminhada segue firme. Quando o argumento é de que ainda sou muito novo para assumir certos desafios, não me incomodo. Apenas fico lisonjeado de saber que aos olhos de alguns ainda tenho um rosto de vinte e poucos anos, isso rejuvenesce a alma.

Sei que ainda sou pequeno diante dos grandes desafios do mundo, porém nunca deixei de acreditar que tudo o que está ao meu alcance pode ser um instrumento para influir e melhorar a nossa passagem aqui. Nunca tive a intenção de parecer algo que não sou ou ocupar algo que não me caiba, tento apenas aprender e dividir aprendizados com todas e todos.

Isso me mostrou que todos os dias podemos fazer algo de bom por alguém. Independente da posição ocupada ou da idade é preciso estimular as pessoas a chegarem ao topo do momento que elas vivem. Criar barreiras é para os fracos.

Quando alguém te ajudar, seja grato. Quando alguém te atrapalhar, seja melhor! Lembre-se: não pare de caminhar.

*Fabrício Lopes é Gestor Público

segunda-feira, 25 de março de 2019

O ÚLTIMO QUESITO

O último quesito
O anúncio das notas das escolas de samba é algo que chama a atenção de quem acompanha. Mesmo quem não é adepto da festa popular costuma parar alguns instantes para observar a leitura e as reações. Entre comemorações pelas notas altas e frustrações com notas baixas, podemos observar algumas conquistas individuais e muitos desastres coletivos.

Enquanto há segmentos comemoram a gabaritagem da nota máxima, outros tentam entender o que faltou aos olhos dos julgadores, mas é importante compreender que independente da forma como são anunciadas, sempre há uma pressão infinitamente maior sobre o último quesito.

Atualmente a ordem de anúncio e desempate são realizadas por sorteio, mas por muitos anos a leitura tinha uma sequência fixa e a bateria geralmente é quem ficava para o final. Com isso, o segmento que mais tem o risco de falhar por ser o que atua por mais tempo, para no recuo para ser avaliado individualmente, tem o maior número de componentes e geralmente é o mais desgastante fisicamente, era o último a ter a nota anunciada.

Nenhum peso é maior que perder o carnaval na última nota, ainda mais sendo o anúncio da avaliação do "coração da escola". Em um único anúncio você passa a ter a responsabilidade dobrada por um resultado que vai além do próprio desempenho no desfile.

Se a pontuação virar no último instante, será como o gol da vitória nos minutos finais de uma prorrogação. Todos esquecem as notas baixas e correm para o abraço. Porém se se a derrota vier justamente nesse momento, o peso da cobrança será praticamente eterno.

O assunto aparentemente é sobre o carnaval, mas não é. Trago o presente exemplo para que possamos avaliar a infinidade de coisas cujo o resultado é uma somatória de questões, porém é costumeiro da maioria das pessoas avaliar apenas uma fração das ocorrências que levam à um determinado resultado.

Isso serve para vários temas debatidos no Brasil onde a população que é o "coração do país" acaba por carregar um peso dobrado diante de temas estratégicos. Diariamente pautas são colocadas na agenda do país, geram expectativas, são tratados como relevantes, mas que no fundo são quesitos cuja as notas servem para comemorações individuais, mas que ao final o peso da responsabilidade ficará sobre o povo, e mesmo que este tenha feito tudo de forma correta, por comodismo de muitos, vai pagar um preço que não dependeu do seu desempenho.

As pautas relevantes são fatiadas ao gosto dos poderosos e colocados como essenciais para "salvar o país", por outro lado, falta ao grande público a compreensão de que independente da ordem das medidas anunciadas o resultado final já foi consolidado antes dos os envelopes serem fechados.

Por mais que seja difícil compreender, sempre haverá um clima de expectativa no ar. Talvez o maior impulso seja a ansiedade aliada com a curiosidade que cria uma atmosfera de busca pela alegria, mas que pode desaguar em uma grande desilusão a qual pode ser resolvida com a somatória simples somatória dos resultados e com o anúncio apenas da classificação final.

No caso do carnaval, essa tradição do anúncio ajuda a movimentar as quadras, aguçar o imaginário e alimentar as esperanças. Já na vida real, quanto mais nos distraímos com os anúncios fragmentados sobre os rumos do país, mais longe estamos de compreender o resultado final ao qual estamos sujeitos.

É necessário estar atento e quanto mais tempo se perde tentando procurar um culpado para os fragmentos cotidianos, um conjunto de fatores que nos trouxe até aqui é deixado de lado.

Devemos ter um olhar mais holístico para questões que nos afligem todos os dias e com um sentimento de construção coletiva dos temas. Acredito que esse é o caminho para que nosso país possa se desenvolver e nosso povo não continue a pagar uma conta construída pela exploração histórica e que é diariamente paga por quem mais trabalha. É preciso compreender e unir esforços para eliminar essa pressão nos ombros da classe trabalhadora toda vez que um novo envelope é aberto e uma nova nota for anunciada.



*Fabrício Lopes é Gestor Público e pós graduando em Gestão Ambiental

domingo, 17 de junho de 2018

DILEMAS DO FUTEBOL NO BRASIL

Dilemas do futebol no Brasil
Além de contribuir para melhorar a nossa qualidade de vida, a prática esportiva ajuda na integração das pessoas. Quando realizada com a perspectiva de alto rendimento, se torna um importante instrumento para superar desafios, criar tendências e melhorar a autoestima dos atletas e dos torcedores, afinal, torcer também faz bem.

No Brasil, mesmo após sediar sequencialmente os dois maiores eventos esportivos do planeta, parece que ainda não despertamos para a importância que o esporte tem na promoção do desenvolvimento das pessoas e do país.

Acredito que o maior exemplo dessa falta de visão esteja justamente no esporte mais praticado e reverenciado em nosso país: o futebol. Mesmo com uma quantidade expressiva de pessoas que se envolvem, vibram e consomem os produtos, ídolos e conceitos que surgem dos gramados, o fato é que ainda carecemos de muitas melhorias para nos tornarmos um indutor de transformações, e não apenas um mercado de entretenimento.

Possuímos um grande número de esportistas com talento, mas nos habituamos a valorizar momentaneamente aqueles que sobem ao posto mais alto do pódio. Desprezamos os vices, não reconhecemos esforços coletivos, não aceitamos que perder também é parte do jogo, que o adversário se preparou melhor, entre outras coisas. Preferimos jogar a responsabilidade em elementos externos, seja no treinador, no árbitro, na imprensa ou na torcida.

Outro elemento constante é o hábito de não estimular a coletividade. Sempre focamos em questões individualizadas e na maioria das vezes tratamos os jovens talentos apenas como uma aposta para uma rápida ascensão econômica para seus investidores e familiares.

No cenário profissional é indiscutível que a questão financeira é importante e deve ser tratada com responsabilidade, mas o esportista não pode se reduzir a um contracheque, ele é maior que isso, independente da divisão em que atue ou do tempo de carreira.

Nossos atletas devem ser formados para construir uma nova perspectiva não apenas com a bola nos pés, mas com a cabeça de quem quer melhorar o país. A partir do futebol e outros esportes, formar uma geração de pessoas mais conscientes e responsáveis. O esporte pode ensinar a compreender que dentro ou fora de campo as competições são um caminho de aprendizado, que exercita a disciplina e permite lidar com êxitos e frustrações, ajudando atletas a melhorar a concentração, superar limites e conquistar mais confiança.

As entidades que conduzem o futebol no país parecem jogar dados no tabuleiro de xadrez. O exemplo mais recente e que vem com a justificativa de ‘profissionalizar’ é a obrigatoriedade, a partir de 2019, que os treinadores apresentem uma licença específica outorgada apenas por um órgão: a CBF. Na qual, para cursar o módulo inicial é necessário ter experiência mínima de 5 anos na atividade de treinador e desembolsar mais de R$ 5 mil.

Então pensemos: se há um impedimento para o exercício da função sem a licença a partir de 2019, como um novato vai cumprir os requisitos de tempo mínimo exigido para se inscrever no curso? Será que vão aceitar aqueles que constituírem sua experiência na “ilegalidade”? Pois é!

Não é de se estranhar o aumento do desinteresse na população pelo futebol. Pesquisa do Datafolha divulgada recentemente aponta que 53% dos brasileiros não estão muito animados com a Copa do Mundo 2018. É o pior índice desde 1994, quando 36% afirmaram não se interessar. Por um lado o desinteresse é compreensível, afinal a catástrofe futebolística e corruptiva que abateu o país na edição da competição em 2014 deixou marcas profundas, mas pelo visto continua sendo mais prático aos dirigentes fazer de conta que nada aconteceu.

Ademais, os sinais de desgaste não são recentes: estádios vazios, ingressos com preços absurdos, excesso de confusões envolvendo torcidas, atletas preocupados com o penteado, dirigentes que parecem candidatos à presidente, enxurrada de denúncias sobre combinações de resultados, entre outros, são reflexos dos caminhos precários adotados e que continuamos a aceitar, na maioria das vezes, sem questionar.

É preciso entender que nem só de pay per view viverá o nosso futebol. Muito menos sobreviverá sustentado por uma confraria de associações esportivas que hegemonizam as competições estaduais e sufocam os clubes interioranos. Sem adversários de alto nível a atração vai perdendo o encanto e o público.

Enquanto isso, esportes como vôlei, basquete, futsal e até mesmo as competições de games vão ampliando seu espaço, conquistado novos patrocinadores, aumentando o tempo de exposição na TV, lotando ginásios e unindo torcidas.

Não podemos negar que mesmo com todas essas questões o futebol ainda é muito forte e possui mecanismos que sustentam os sonhos de milhões de jovens. Como citei anteriormente, muitos almejam o sucesso e a liberdade financeira no curto prazo, mas a realidade é bem diferente. Segundo um levantamento feito pela própria Confederação Brasileira de Futebol, em 2017, dos 28.203 atletas com contratos de trabalho, 82,40% “recebem” até R$ 1.000, mensais.

O valor descrito na Carteira de Trabalho muitas vezes não passa de mera formalidade, necessária para cumprir os requisitos legais e maquiar a profissionalização. Há casos, não incomum, de quem inclusive arca com os custos para jogar como "profissional" em um universo em que competições chegam a limitar a idade dos atletas e deixam profissionais em plenas condições de atuar fora de atividade, fato esse que serve apenas para explorar da vontade dos mais jovens e desempregar os "mais velhos", se por assim podemos dizer.

E pensar que em um país em que a qualificação profissional é uma estratégia governamental secundária, se faz importante lembrar que muitos destes jovens até abandonam os estudos na busca de fazer do seu talento uma forma de vida. Mas uma grande parcela se torna apenas mais uma parte da mão de obra barata e desqualificada em busca do sustento.

Sei que os temas que trago aqui são complexos e envolvem muitas vezes o emocional de quem gosta do futebol, mas em algum momento é preciso iniciar esse diálogo de forma séria e franca. O momento exige um choque de realidade para atletas, treinadores e dirigentes. Porém, isso não pode ser feito de forma açodada. Acredito que o passo inicial seja buscar condições dignas para os atletas se profissionalizarem. Que eles possam efetivamente receber seus salários de forma integral, sem necessidade de assinar recibos de pagamentos em branco ou com valores maiores do que realmente recebem. Garantir que todos aqueles que estejam em idade escolar possam estudar, treinar e jogar sem prejuízos ao seu futuro.

O objetivo é de discutir a realidade sem dogmas e clubismo. O esporte é um importante instrumento para fortalecer as relações de afinidade e dar uma nova cara ao nosso país, mas no futebol que deveria puxar essa fila, tem muita gente pisando na bola.



*Fabrício Lopes é Gestor Público

segunda-feira, 11 de junho de 2018

CARTAS


Texto simétrico 
Palavras dosadas 
Em compassos 
Possui importância 
Se faz necessária 
Letra por letra 
Preenche o vazio 
De folhas em branco 
Carregam notícias 
Talvez um segredo 
Desvendam mistérios 
Transportam esperança 
Vai passar em muitas mãos 
Até ser entregue 
De forma aleatória 
Aos desconhecidos 
Humanos esquecidos 
Até para desaparecidos 
Uma mistura de ideias 
Com variável de sentidos 
Se o endereço é correto 
Faz o caminho certo 
Há quem receba perplexo 
Sem saber por qual razão 
Euforia que desperta 
Uma curiosidade 
De saber por qual motivo 
Tenha sido escolhido 
Abre com pressa 
Um papel pardo 
Quase uma aposta 
Um tiro no escuro 
Momento de esperança 
De receber notícias 
Reviver lembranças 
Quando surge a surpresa 
Não entende motivo 
Alívio ou abismo? 
Um estranho lhe escreve 
Informando o ocorrido 
Precisa agir rápido 
Para não correr perigo 
Algumas desprezadas 
Outras devolvidas 
No verso o carimbo 
Cravou qual a sorte 
Alguns se mudaram 
Uns se esconderam 
Teve o desesperado 
O não procurado 
E quem a ampulheta 
Já estava esgotada 
De volta enviada 
Carregam consigo as marcas 
E as feridas do tempo 
Retornam à origem 
As datas impostas 
O papel amassado 
A ausência de resposta 
O dono da escrita 
Será o encarregado 
De dar fim ao itinerário 
Propor outros caminhos 
Largada, imprensada, mofada 
Em um canto empilhada 
Sem qualquer opção 
Registra em um texto imponente 
Um final decadente 
Sinal de novos tempos 
Talvez só velhas táticas 
Na ausência de boas práticas 
Triste desfecho 
Cumpriu seu ritual 
No bailar das cartas 
Com destino incerto 
O futuro é virtual 


*Fabrício Lopes

segunda-feira, 14 de maio de 2018

CIDADE DO PRESENTE

Cidade do presente


Na década de 1960, movido por fatores políticos, econômicos e sociais, o Brasil passou a ter mais de 50% da população vivendo nas cidades. Desde então os desafios apresentados pelos aglomerados urbanos são muito similares, tais como moradia, transporte, destinação de resíduos, poluição, trânsito, entre outros.

É de causar espanto que, mesmo com o fortalecimento econômico do país, essas regiões ainda convivam com problemas de mais de meio século. Talvez isso se deva ao fato de que o destino da população permaneça nas mãos das mesmas pessoas desde essa época. Isso nos dá a tarefa de continuar a buscar maneiras de mudar essa realidade, nos preparando para implantar novos propósitos de convivência nas áreas urbanas.

Conforme dados do Panorama dos Resíduos Sólidos, o Brasil produz aproximadamente 117 mil toneladas por ano, o que representa mais de 1kg de resíduos por brasileiro diariamente.

Além do lixo, a emissão de poluentes é outro grande problema: segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, o Brasil em 2016 emitiu mais de 2,278 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico na atmosfera. Estes são apenas alguns exemplos de problemas das cidades e que são resposáveis por destruir diversos recursos naturais que o planeta levou milhões de anos para construir.

Se não houver uma mudança profunda na forma de viver nas cidades, logo menos haverá um colapso de proporções irreversíveis para a natureza. Quando o planeta tenta se regenerar, não consegue se recompor na mesma velocidade em que o ser humano o destrói. É como ter um machucado e ao invés de permitir ao corpo o descanso necessário para sua recuperação, continuamos a promover um esforço até que não haja mais condições de se regenerar.

No caso brasileiro, o mais impressionante é que a forma de destruir e poluir se eleva justamente quando possuímos informações disponíveis sobre a importância em manter os recursos naturais preservados para garantir uma vida mais saudável desde o presente.

Não podemos negar que a temática ambiental está em crescimento e hoje temos muitas pessoas alterando seus hábitos e buscando unir ideias na busca de dar o mínimo de contribuição. Porém, com grande parte do empresariado, agentes públicos e sociedade com a mentalidade do século passado, o esforço empenhado hoje não é suficiente para curar todo o mal que é feito diariamente ao planeta. É como tentar curar um câncer apenas ingerindo analgésico.

Acredito que no caso brasileiro, o primeiro passo para a mudança é transformar a realidade das cidades com um grande e consciente investimento em políticas de inteligência urbana, que permita à sociedade compreender melhor os impactos e custos que as cidades possuem para reparar danos causados pelo uso desordenado dos recursos disponíveis.

Precisamos vencer essa barreira de que aqueles que defendem a natureza são contra o desenvolvimento. Se há algo que as máquinas não são capazes de produzir são seres humanos saudáveis que possam mantê-las em operação. Investir em políticas públicas com foco em cidades inteligentes é o primeiro passo para que possamos ter um país com mais empregos, melhor mobilidade, moradia digna, energias renováveis e harmonia com o meio ambiente. Estamos atrasados em relação ao planeta para construir cidades do futuro, é necessário construir a cidade do presente.



*Fabrício Lopes é Gestor Público

Fonte: http://www.infojovem.org.br/blog/2018/05/14/fabricio-lopes-cidade-do-presente/

terça-feira, 20 de março de 2018

FINAL DE MARÇO


Gotas do céu
Param a metrópole
Bueiro entupido
Avenida parada
Rua alagada
Pessoas molhadas
Sinal dos tempos
Dura realidade
Um dia foi garoa
Hoje é tempestade

Catraca gira
Ônibus lota
O tempo se perde
Cansaço aflora
Suor no rosto
Ao passar das horas
Pés exaustos
Na busca do lar

Vidas passantes
Colorido andante
Única proteção
Sirenes que tocam
Vidas em jogo
Caos urbano
Sofrimento cotidiano
Do povo trabalhador


Fabrício Lopes

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A CONEXÃO



No século da evolução 
A distração 
É o maior inimigo 
Um mundo passa ao largo 
O tempo desperdiçado 
Sem volta 
Sem conteúdo 
Onde se tem acesso a tudo 
Mas não se aprende nada 

Cérebro sem uso 
Vida das maquinas 
Inteligência artificial 
Caminhos da dependência 
No mapa que te guia 
Se ficar sem bateria 
É como pausar o mundo 
Não lembra sequer os números 
Nem o caminho de casa 
Diante da abstinência 
Passa viver de carências 
Só pensa em pedir socorro 
Fica desesperado 
Está desconectado 
Se vê obrigado a pensar 

Reflete sobre a vida 
Determina que a melhor saída 
Será um aparelho decente 
Com bateria potente 
Que custa um bom dinheiro 
Mas pode ser parcelado 
Para ser monitorado 
E também ficar na moda 
Poder contar aos amigos 
Sobre novos aplicativos 
Que apontam novos caminhos 

A vida então se renova 
Agora com muita energia 
Garante passar o dia 
Fuçando a vida alheia 
Daquele que também se expõe 
Debatendo chifre de unicórnio 
Ou rabo de sereia 

Enquanto isso, o tempo passa 
Pouca coisa acontece 
Escreve uma grande reclamação 
Mesmo sem ter certeza ou razão 
E fica na ansiedade 
Se os amigos não aparecem 
Quem sabe fosse melhor 
Publicar uma corrente de preces 

Sem muitas interações  
Algumas visualizações 
Surge até carinhas de emoções 
Nada muito legal 
Parece que há pouca verdade 
Mas fascínio pela velocidade 
Não dá margem 
É preciso buscar a nova postagem 
De histórias descartáveis 
Abraços não palpáveis 
Muitos clichês, bolha de civilização 

Tudo banalizado, repetido, esgotado 
Sentimentos verdadeiros 
Relegados ao passado 
Que nem é tão distante 
Esquecido na foto impressa 
No canto de uma estante 
Retrata muita gente nova 
Que possui tempo de sobra 
Mas não tem uma vida vibrante 
Consome remédios impactantes 
Na busca de felicidade 

Sem conseguir erguer a cabeça 
Enxergar a realidade 
Viver novos desafios 
Sorrir e chorar além de símbolos 
Demonstrar afeto, usar o coração 
Deixar de lado essa vida previsível 
Com amigos perecíveis 
Feita pra satisfazer o alheio 

É possível mudar o caminho 
Deixa de se sentir sozinho 
Saber usar a conexão 
Não esquecer que carinho 
Respeito e felicidade 
Não se faz no algoritmo 
Está no aperto de mão 
Dentro de um abraço apertado 
Junto de quem se gosta 

Seja falante ou calado 
Cheio de grana ou quebrado 
O mais importante 
É manter a chama acesa 
Se reunir à mesa 
Trocar ideias 
Muitos papos descolados 
Sem grandes expectativas 
Admirar a vida 
Agradecer o momento 
Relembrar histórias 
Jogar conversa fora 
Sem ser fotografado 
Guardar na memória 
Deixar que o tempo 
Seja o guardião 
Da amizade e do amor


Fabrício Lopes

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

EM NOSSAS MÃOS

O mais impressionante
É que ninguém se impressiona
Talvez seja um efeito misto
De passividade com vergonha
Pode ser medo
Do constante perigo
Em que pode vir a tona
Seus mais tenros delitos
Nestes tempos de tragédia
Onde opositores convergem
Acordos emergem
O silêncio ensurdece
Enquanto a massa estarrecida
Continua distraída
Procurando uma razão
Sem perceber que a solução
É mais simples de que se imagina
Independente do compasso das rimas
Está em nossas mãos
Aos que se escondem
Logo adiante
A história vai cobrar

Fabrício Lopes

sábado, 26 de agosto de 2017

SALA DE ESPERA




Na sala de espera
O espelho reflete
A imagem daquele
Que muito fez esperar
Pensou que era grande
Se tornou distante
E agora precisa voltar
Mas a porta foi fechada
Fechadura trocada
O muro subiu
A chave sumiu
O povo mudou
Não é mais o mesmo lugar
Porta abre, porta fecha
Café gelado
Revista velha
Cheiro de mofo do sofá
Gente apressada que passa
Todos pelo mesmo lugar
Pouco param para cumprimentar
Gente estranha e conhecida
Todas são atendidas
Nem sinal de seu nome chamar
Ele fica impaciente
Não crê que toda essa gente
Possa lhe ignorar
Porém esqueceu que no passado
Sentado no conforto da sala
Deixava todos todos a esperar
Olhou os contatos no telefone
Relembrou vários nomes
Que um dia não atendeu
No entra e sai no ambiente
O tédio parece só aumentar
Vê vários nomes na lista
Não vê sua vez chegar
Quando chega perto do momento
Te diz que está atrasado
Recomenda marcar outro dia
E se for importante
Que anote um recado
Daqui algum tempo
Do fundo de uma gaveta
O bilhete será resgatado
E o que era importante
Será sem sentido
Agora o tempo é inimigo
Corrói a alma do indivíduo
Que vaidoso insiste em mentir
Para quem está do outro lado
Assistindo esse papo furado
Observando quem tem compromisso
Esperando o próximo vir


Fabrício Lopes

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A FADIGA DA VAIDADE E DO IMPROVISO

A fadiga da vaidade e do improviso
É possível juntar os melhores atletas e formar um grande time, mas no esporte ganha quem forma a melhor equipe. É preciso transcender a área de competição e envolver desde os funcionários, simpatizantes, associados e atletas, até a comunidade onde cada um esteja inserido.

Porém parece que no Brasil continuamos a não enxergar que para obter resultados é preciso mais que boa vontade e intuição. Acima de tudo é preciso planejamento, organização e transparência.

Se faz necessário compreender que o esporte vai além da força física ou da habilidade individual do atleta. Os resultados positivos são a tradução do conjunto de fatores e estruturas que só podem ser simples, mas desde que funcione e possua o envolvimento coletivo, passam a regar bons resultados e realimentar o planejamento e a organização para desafios ainda maiores.

Mas infelizmente estamos muito distantes de algo pelo menos parecido com isso. Vivemos dentro de um modelo ultrapassado que continua a privilegiar os interesses individuais, a vaidade e o improviso. Desprezam quem estuda e busca entender de forma mais apurada o funcionamento das organizações e da gestão de resultados.

Possuímos uma geração de dirigentes que se acham donos da verdade, são algozes de sonhos e não compreendem que o esporte é um transformador da realidade de uma nação.

Tive desde muito cedo a oportunidade de me arriscar nas atividades esportivas. Minha pouca habilidade, a alimentação inadequada, as condições impróprias e os empecilhos da vida que na fase adulta se transformaram em desleixo, não me garantiram ser um atleta de alto rendimento.

Porém, o legado mais importante foi aprender que com respeito, humildade e dedicação é possível superar o limite individual e fazer de cada passo uma vitória em equipe. Quem continua a usar o desprezo, ganância e arrogância para tratar coisas do esporte, sempre viverá às margens da conquistas.

O esporte tem a força! Ele é capaz de parar guerras, salvar vidas, unir nações, eternizar talentos. Deve ser tratado com carinho e responsabilidade, independente dos resultados.

Espero que nosso país possa viver dias melhores. Que minha geração, especialmente, deixe de apenas ficar encantado com o êxito alheio e se envolva mais para que possamos ter novas conquistas. Não adianta apenas flertar com os sonhos, ficar reclamando e na hora de tomar a decisão deixar nas mãos dos mesmos.

Não importa se você é o atleta, o dirigente, o sócio, o torcedor, o patrocinador ou qualquer outra função. Entenda que cada detalhe é importante quando falamos de equipe. O primeiro passo para obter êxito é ter coragem para enfrentar os medos e atitude para construir em conjunto! O esporte não combina com a covardia e o culto à vaidade individual.


*Fabrício Lopes é Gestor Público

sábado, 17 de dezembro de 2016

VOU PRA ROÇA



Vou pra roça
Plantar alface
Fugir desse desastre
Chamado cidade grande
Onde a comida fica cara
A intolerância e a fome se espalham
E cada vez estamos mais distantes

Vou pra roça cuidar da terra
Sentir o ar puro
Ver florescer a primavera
Contemplar a liberdade
Deixar o tempo passar manso
Balançar na rede
Beber água da fonte

Vou pra roça cuidar dos animais
Cozinhar no fogão a lenha
Ver o sol nascer no quintal
O orvalho da noite secar lentamente
Das roupas que ficaram durante a noite no varal

A cidade está mudada
Muita gente apressada
Que não sabe onde vai
Um disputa constante
Onde o respeito está distante
Entre tantas pessoas iguais

Empurra, aperta, reclama
Sempre quer tirar vantagem
Não importa a idade
Nem a classe social
Reclama a todo momento
Parece que perderam o sentimento
Se apoderaram da ganância
Que rejeita dos idosos
Ignora as crianças

Sempre fica procurando
Um culpado para tudo
Nunca faz a sua parte
Diz que o mundo é imundo
Só não percebeu ainda
Quem de fato é vagabundo

Vou pra roça
Escutar a minha bossa
Ficar descalço no quintal
Tocar viola mansinho
Ouvir o cantar livre do passarinho
Contemplar o bailar da natureza
Sonhar com um mundo melhor

Vou pra roça
Fazer colcha de retalho
Na varanda do destino
Busco a vida ideal
De dia tenho muito trabalho
A noite posso fazer Carnaval



Fabrício Lopes


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

NO COMPASSO DA HISTÓRIA


No tilintar das taças 
Conspiram contra o povo nas praças 
Máscaras caem
A falsidade se abraça 
A expectativa é de impunidade
Conquistadas com a imunidade
Outorgada pela lei
Que até hoje não sei
Como serve ao pobre
Só vejo sujeito nobre
Fazer o que bem entende
Explorando toda gente
Falando de moral e bons costumes
Criticando aos que se unem
Pra fugir do desatino
Mudar nosso destino 
Criar uma nova realidade
Mesmo que longe de casa
Com o peito apertado de saudade
Não se curva às dificuldades 
Segue firme a caminhada 
Muitos hoje conformados 
Dizem que isso não leva a nada
Só faz a gente tomar porrada
Para o poderoso se lambuzar
Porém o que mata é a apatia 
Pois quem luta todo dia
Sabe onde quer chegar
Olhos vistos não parece 
Mas a nossa luta cresce
Como um filho adolescente
Que logo se parece gente
Mas o chamamos de menino
A esperança não cessa
Para o futuro não tenho pressa
Cada dia pode parecer de dor
Mas no fundo é de glória
Semeamos esperança 
Cultivamos novas histórias 
Pois a história
Ah... a história!
Paciente e certeira
Essa não hesitará


Fabrício Lopes

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

POESIA - LADOS


Leio lutas 
Nos muros da cidade
Ouço lutas 
Nos áudios do WhatsApp
Sinto luta
Na porta dos colégios 
Esperança no aperto de mão 
Dos que não possuem privilégio

Entre bandeiras ensaguentadas
As ideias são usurpadas
Frases são distorcidas 
Histórias são rasgadas
Ilusão de uma disputa
Que não termina agora
Pois o inimigo de outrora 
Ainda permanece forte
Manipulando as partes
Financiando claques 
Entorpecendo as mentes

A notícia deixa evidente 
Quem define lado por preço
É fácil identifica-los
Pois nasceram em confortáveis berços
Nas ruas há muitas vozes
Algumas serenas
Muitas ferozes
Transformam tudo em problema
São sócios do mesmo esquema 
Esquecem do povo explorado
Inventam heróis proletários
Que se cala na hora da pressão

O futuro começa hoje
Nosso mundo está mudado
Há quem ainda não entendeu
Que a história não mais se apaga
Se um livro for queimado
Quase tudo monitorado
Resposta fácil num clique
Inteligencia artificial 
Liberdade que te prende
Se o pensamento não for algo natural

Lados que aparentam divertir
Unidos na mesma vontade 
De manter as facilidades
E se a sociedade não investiga
Respostas não surgem
Continua a briga
Onde se confunde as vozes 
Não há debate
Não há avanços 
E dos sonhos de uma geração 
Ambos continuam a ser algozes

É preciso permanecer ativo
Cabe a reflexão
Faça valer o protagonismo
Não deixe o país ir ao abismo
Atitudes extremistas
Excluem a multidão
Vamos pensar em coisa nova
Liberte-se
Deixe de ser massa de manobra
Pois o mundo, o mundo camarada...
É o conjunto da nossa ação


Fabrício Lopes